segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

R(existência).



Um cachorro
Expressão perfeita da vida
É senão a própria vida nossa
Resumida
Que
Não se resume a ser
Silêncio e
Vazio que trinca
 No vibrar
Da angústia latida
Vida
Em osso e mordida
Brinca
Igualmente majestosa e
Milagrosa
Filhotes, novamente latidos
Mais resignação e aguçados sentidos
Quer também o cão
O seu dever cumprido
Na eterna solidão
Da alma canina
Sempre a dizer pelos olhos
Ventilar pelas narinas
E pulsar singular
No coração.


* A brincadeira com a existência e a resistência: a vida é exatamente essa mistura de existir com resistir (num consentir). Dentro desse espaço é que se cumpre o inescapável ser (e dever). FARUK é o cão da foto. Nosso cachorrão que há muito já passou dos 15 anos. Nosso adolescente - um dia brutão - é hoje um menininho frágil. Um cão que cumpriu sua missão de cachorro. Um dia vigoroso, arteiro... Teve lá os seus mais de quarenta filhotes. Teria deixado de ser tudo que foi um dia pelas imposições de sua velhice, não mantivesse ainda sua essência de ser amigo e fiel.

1 comentários:

  1. Que lindão o Faruk! Os cachorros, com sua lealdade canina, só por existirem já dão poesia... Amo!!!

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